Dormir sobre o Assunto - Perfomance Artística (destaque)

Dar Voz às Palavras

“Dar Voz às Palavras” é o título dos workshops formativos dinamizados pela atriz Adriana Campos. Estes momentos de trabalho com profissionais da arte dramática ajudam a preparar as sessões de leitura nas instituições que nos recebem, bem como as atividades que exigem uma maior exposição, dirigidas à comunidade em geral. 

Na sequência do que tem sido feito nos anos anteriores, prosseguiremos no esforço de formarmos os nossos alunos para dar voz às palavras. Estes momentos de trabalho com profissionais da arte dramática ajudam a preparar as sessões de leitura nas instituições que nos recebem, bem como as atividades que exigem uma maior exposição, dirigidas à comunidade em geral.

Muitas vezes a leitura é aliada à escrita, numa fase inicial, para favorecer a apropriação do texto por parte do aluno. Depois surge o trabalho de dar vida ao texto. Com o propósito de descobrir, através dos textos, que as palavras escritas são antes de mais, um diálogo, assim, em cada encontro tentamos introduzir o gesto e a ação, desvendando sentidos e dando corpo às palavras.

 

Workshop (maio 2016)

O workshop de maio centrou-se na mensagem do conto “O Homem que Plantava Árvores”, de Jean Giono, escrito em 1953. É um breve texto que se tornou emblemático para os movimentos em prol da preservação da natureza. O próprio autor afirmou que tinha escrito “para que as pessoas gostem de plantar árvores”. As leituras ambientalistas que foram feitas deste conto transportaram-nos para uma proposta mais performativa, a realizar no Museu da Ciência.

O homem, na figura da personagem Elzéard Bouffier, coloca-se na encruzilhada entre história e natureza. As duas grandes guerras do século XX balizam um tempo que se perpetua no gesto obstinado de plantar uma floresta em terreno inóspito.

Os alunos simularam pedaços da história e deram a voz e o corpo às palavras.

Ligação para o site do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

 


Workshop (março 2016)

Adriana Campos, atriz profissional que tem desenvolvido a atividade “Dar Voz às Palavras” do Projeto Ler+ Jovem “À Sombra das Palavras”, na Semana da Leitura propôs uma sessão na Casa-Museu Miguel Torga com os alunos para (re)pensarmos esta figura incontornável da literatura portuguesa e de Coimbra.

As imagens, os objetos, a poesia e as palavras de Torga estiveram em evidência numa dinâmica que envolveu os cinco sentidos.

 


Workshop (janeiro 2016)

Reportando-nos ao estudo do texto poético, no workshop de janeiro experimentamos a poesia visual, inspirados no Blogue “Pó de Lua”, de Clarice Freire. A atividade, em estilo de oficina de escrita criativa, começou com a leitura comentada do texto de Manuel Alegre “Poemarma”. A partir daí os alunos foram convidados refletir sobre o que é a poesia e sobre as diferentes formas que esta pode assumir. Num caminho de desconstrução chegamos ao blogue, que nos motivou para a escrita. O uso de dados com imagens, jogados aleatoriamente por cada um, fez surgir temas que desencadearam naturalmente o processo de escrita reflexiva.

 


Workshop (dezembro 2015)

O workshop de dezembro foi o primeiro passo para a realização da atividade Assalto de Poesia, programada para o último dia de aulas do primeiro período.

O texto poético foi trabalho numa perspetiva reflexiva a partir de uma temática. O natal foi trabalhado à luz dos muros (na perspetiva do proteção e na oposta, do limite).

Muro - cintura protetora que encerra um mundo e evita que nele penetrem as influências nefastas de origem inferior. Tem o inconveniente de limitar o domínio que ele encerra, mas a vantagem de garantir a sua defesa. (…) separação entre irmãos exilados e aqueles que permanecem; separação-fronteira-propriedade entre nações, tribos, indivíduos; separação entre famílias; (…)separação entre os outros e eu. O muro é a comunicação cortada, com a sua dupla intenção psicológica: segurança, sufoco; defesa, mas prisão.

Chevalier, Jean et al, Dicionários dos símbolos.

Inspirados pelo trabalho de street art de Bansky, nomeadamente nas pinturas que efetuou no polémico Muro da Cisjordânia, os alunos puderam dar voz às suas ideias e refletir sobre a importância de derrubar e/ou construir muros. Daí até à desconstrução da temática natalícia foi um saltinho. E assim brotaram as palavras em poema:

O Natal no muro

Seria para múltiplos mundos

para que esta época

pudesse ser compreendida

para que as pessoas

lhe dessem o seu valor…

Natal

Época propícia à união

Os muros quebram-se

E unem famílias, países, continentes.

Um mundo cheio de afazeres…

O Tempo, cercado por um círculo finito,

Preenche-se de pessoas únicas, diferentes.

 


Workshop (novembro 2015)

Cartografia do Eu

O workshop de novembro consistiu na preparação da primeira sessão de leitura deste ano, que foi dedicada aos textos de caráter autobiográfico, a partir de escritos de José Saramago, sob o título de Cartografia do EU. A tarefa consistiu em desenhar o fio da vida, relembrando memórias, partilhando e construindo sentidos uns com/e os outros.

DESENHAR O FIO DA VIDA como num sismógrafo da alma

“Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto./ Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos. / É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo. / É um rio. / Corre-me nas mãos, agora molhadas. / Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem. / Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o próprio corpo do rio. (…) Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. / Depois saberei tudo.”

Protopoema, José Saramago, in "Provavelmente Alegria", Caminho, 1987, 3.ª edição.

Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos. Olho de cima da ribanceira a corrente que mal se move, a água quase estagnada, e absurdamente imagino que tudo voltaria a ser o que foi se nela pudesse voltar a mergulhar a minha nudez da infância, se pudesse retomar nas mãos que tenho hoje a longa e húmida vara ou os sonoros remos de antanho, e impelir, sobre a lisa pele da água, o barco rústico que conduziu até às fronteiras do sonho um certo ser que fui e que deixei encalhado algures no tempo.

As Pequenas Memórias, José Saramago.

 

 

 

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