Dormir sobre o Assunto - Perfomance Artística (destaque)

Sessões de Leitura

 

 


Sessão 5 (maio 2016)

A Arte de contar Histórias

O conto…é uma "constante", é veiculo transmissor de conhecimentos, é uma "palavra" cujo fio não deve ser cortado… (Maria Emília Traça, 1992)
 
Nesta sessão os alunos trabalharam com os nossos públicos das instituições o texto narrativo. "A arte de contar histórias" foi o título escolhido para esta atividade, que incluiu um breve momento de reconto por parte dos alunos, com base no texto de leitura orientada lecionado na aula de Português ("O Homem que Plantava Árvores", de Jean Giono). 
Depois o fio da narrativa conduziu-nos a outras histórias que, em grupo, criamos.
O estímulo fez-se a partir de imagens e de expressões-chave (no início "Era uma vez"; no fim "E foram felizes para sempre".
Apelamos ao gesto tradicional de contar e conseguimos, de uma forma lúdica, compor novas histórias.
 

Ler em voz alta não é suficiente, é preciso contar também, oferecer nossos tesouros, desembrulhá-los na praia ignorante. Escutem, escutem e vejam como é bom ouvir uma história. Não há melhor maneira de abrir o apetite de um leitor do que lhe dar a farejar uma orgia de leitura (Daniel Pennac, 1998).

 


Sessão 4 (fevereiro 2016)

O Mundo numa garrafa

A quarta sessão dos mestres da palavra consistiu em trabalhar, com os utentes do Centro Social São José e do Hotel De dia do IPO de Coimbra, os textos dos media, correspondente ao módulo 3 do programa da disciplina de Português dos cursos profissionais.

A atividade centrou-se essencialmente na discussão oral de assuntos veiculados pela imprensa escrita. No workshop preparatório escolheram, entre jornais e revistas, excertos de textos para colocar aos nossos públicos como reflexão. Cada excerto foi colocado numa garrafa, que cada um foi retirando, lendo e comentando.

A oralidade foi a pedra de toque de toda a sessão, pois os textos que os alunos apresentaram serviram de assunto para uma discussão mais alargada no grupo. Trocaram-se opiniões e ideias, cruzando os exemplos do dia-a-dia para uma argumentação mais eficaz. A moderação ficou por conta das professoras acompanhantes.


Sessão 3 (janeiro 2016)

Pó de Lua - Para diminuir a gravidade das coisas

O blogue Pó de Lua, da autoria de Clarice Freire, foi a nossa inspiração para a sessão de leitura reservada ao texto poético.

Escreve a autora: “Um pouco de Pó de Lua nos pés e diminui-se a gravidade das coisas. Principalmente as pequenas e escondidas. Uma ponte entre a caneta, um Moleskine e o Instagram.   Espaço para divagações, ações para divagar a mente aberta. Todas poeticamente tentadas.”

Com base no estudo de textos poéticos, os alunos partiram para a produção escrita com os utentes das instituições que nos acolhem. Instigados por estímulos visuais, associando as imagens à palavra, através do pensamento, o pendor reflexivo do lirismo, tão pretensamente difícil, foi alcançado naturalmente, em momentos de introspeção e partilha.

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Sessão 2 (dezembro 2015)

Assalto de Poesia

A segunda sessão da dimensão literária – Mestres da Palavra – foi dinamizada para o público escolar. No último dia de aulas do período foi realizado um assalto de poesia às turmas.

Os alunos do projeto produziram textos no Workshop de preparação da sessão, sobre o tema “Natal”, e estes foram lidos em voz alta, nas diversas salas da escola, perante a surpresa de todos. Foram distribuídos poemas de autores portugueses subordinados à mesma temática.

Texto 1

O Natal no muro

seria para múltiplos mundos

para que esta época

pudesse ser compreendida

para que as pessoas

lhe dessem o seu valor…

Natal

Época propícia à união

Os muros quebram-se

E unem famílias, países, continentes .

Um mundo cheio de afazeres…

O Tempo, cercado por um círculo finito,

Preenche-se de pessoas únicas, diferentes.

Só que o Natal

Ainda é um muro

Que isola para muita gente…

 

Texto 2

Mesmo não existindo,

o Pai Natal está na cabeça

É… talvez…

Talvez seja!

Nunca me vão deixar

Os que eu amo

Tenho-os ao meu lado.

A família

toda,

junta.

O Natal é assim!

Texto 3

Estou em cima de um muro e observo…

O Natal é uma época de felicidade,

de brilho

Época de caridade

As famílias reúnem

O convívio suga a saudade

Época de união.

Os miúdos, eufóricos

Os pais carregam presentes.

Ouvem-se músicas

Está tudo enfeitado

Dá gosto sair à rua.

E do outro lado?

Vejo a mesma coisa.

Porquê?

Somos todos iguais.

Não importa a religião, a raça, a nacionalidade

O Natal surge na forma como

cada um se sente mais feliz.

 

Texto 4

Está longe,

está acima de nós

uma figura distinta.

Os muros são proteção e divisão.

O muro

O menino Jesus

Há a necessidade de o proteger?

Ela deu à luz milagrosamente

Vem então o muro comprido.

O muro está à volta de Maria.

Ela é inalcançável!

Texto 5

Artificialidade

À frente dos outros,

Parecer bem…

Algumas pessoas ajudam

Para parecer bem.

As pessoas passam frio, fome

o ano todo

Fazem-se festas

Para parecer bem

Fala-se nos sem abrigo?

Pai Natal ,

Simbólico,

Frágil.

Só em alturas festivas…

Para parecer bem!

Texto 6

No Natal

relembramos o passado,

celebramos o presente,

pedimos um bom futuro.

No Natal

tudo é possível…

Podemos sonhar,

sorrir,

amar,

despertar infâncias.

O Natal é perdoar e aceitar.

Derrubar os muros

que limitam o mundo,

Proteger laços

Contra a divisão.

Natal é o que cada um quiser

Existe e é para todos.

 

 

 


Sessão 1 (novembro 2015)

Cartografia do Eu

Inspirado n’ As Pequenas Memórias, de José Saramago,

A primeira sessão deste ano foi dedicada aos textos de caráter autobiográfico, a partir de escritos de José Saramago, sob o título de Cartografia do EU. A tarefa consistiu em desenhar o fio da vida, relembrando memórias, partilhando e construindo sentidos uns com/e os outros.

DESENHAR O FIO DA VIDA como num sismógrafo da alma

“Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto./ Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos. / É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo. / É um rio. / Corre-me nas mãos, agora molhadas. / Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem. / Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o próprio corpo do rio. (…) Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. / Depois saberei tudo.”

Protopoema, José Saramago, in "Provavelmente Alegria", Caminho, 1987, 3.ª edição.

Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos. Olho de cima da ribanceira a corrente que mal se move, a água quase estagnada, e absurdamente imagino que tudo voltaria a ser o que foi se nela pudesse voltar a mergulhar a minha nudez da infância, se pudesse retomar nas mãos que tenho hoje a longa e húmida vara ou os sonoros remos de antanho, e impelir, sobre a lisa pele da água, o barco rústico que conduziu até às fronteiras do sonho um certo ser que fui e que deixei encalhado algures no tempo.

 

As Pequenas Memórias, José Saramago.

 

Exercício

    1. Escrever é fazer linhas..

Pedir que cada participante desenhe linhas de vários formatos, de olhos vendados: leves, carregadas, emotivas, belas, em zigue-zague,     em círculos…

    1. Pedir que cada um desenhe o seu nome, a sua assinatura, de olhos abertos, tentando fazer como se fosse a primeira vez.

Ler excerto do Saramago

NOME PRÓPRIO

Contei noutro lugar como e porquê me chamo Saramago. Que esse Saramago não era um apelido do lado paterno, mas sim a alcunha por que a família era conhecida na aldeia. Que indo o meu pai a declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. (…) Entrei na vida marcado com este apelido de Saramago sem que a família o suspeitasse, e foi só aos sete anos, quando, para me matricular na instrução primária, foi necessário apresentar certidão de nascimento, que a verdade saiu nua do poço burocrático, com grande indignação de meu pai, a quem, desde que se tinha mudado para Lisboa, a alcunha desgostava. (…) Suponho que deverá ter sido este o único caso, na história da humanidade, em que foi o filho a dar o nome ao pai.

    1. Pedir que cada participante explique o que diz esse nome que desenhou.
    2. Ler o texto de Saramago

DESENHAR O FIO DA VIDA

“Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto./ Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos. / É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo. / É um rio. / Corre-me nas mãos, agora molhadas. / Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem. / Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o próprio corpo do rio. (…) Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. / Depois saberei tudo.”

Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos. Olho de cima da ribanceira a corrente que mal se move, a água quase estagnada, e absurdamente imagino que tudo voltaria a ser o que foi se nela pudesse voltar a mergulhar a minha nudez da infância, se pudesse retomar nas mãos que tenho hoje a longa e húmida vara ou os sonoros remos de antanho, e impelir, sobre a lisa pele da água, o barco rústico que conduziu até às fronteiras do sonho um certo ser que fui e que deixei encalhado algures no tempo.

  1. Cada um desenha o fio da sua própria vida como sugere Saramago no mesmo livro: Acrescentar uma frase ou uma palavra ao momento mais importante dessa linha (não precisa ser necessariamente feliz ou triste ou ter uma definição semelhante).
  2. Apresentar ao grupo, as conclusões.
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