Sessões de Leitura 13-14

 

 


Papéis de acaso

Como dizia Vergílio Ferreira, na sua "Carta ao Futuro", uma carta tem 'um halo de aventura'. É um 'papel de acaso' que 'o vento leva pelos caminhos ou guarda entre os sinais da memória'.

Sendo uma forma de comunicação que tende a desaparecer entre o público mais jovem, pretendemos despertar o gosto pela escrita epistolar, através da partilha das cartas da comunidade sénior e da comunidade reclusa. Comunidades profícuas neste tipo de produção escrita, dadas as suas caraterísticas intrínsecas: de tempos recuados, sem as tecnologias de hoje e de tempos de reclusão, sem acesso às mesmas. Fizemos a sua partilha e leitura, num relembrar de cenários, num expressar de sentimentos, num desabafo de alma.

Além disso, e partindo do programa do 10º ano, e extrapolando para outro tipo de cartas que não as formais, fomentamos a leitura de outros escritos, como os de Fernando Pessoa a Ofélia ou as de guerra, de Lobo Antunes.

 


O fio de Ariadne

Perseguindo a imagem de Ariadne, oferecemos um ‘novelo de linha’ aos públicos envolvidos, proporcionando o recordar de vivências, para que possam encontrar o caminho de volta às suas memórias e construir os seus textos, apoiados por uma oficina de escrita.

Na rota do Programa de Português do 10º ano, da carta passamos, assim, para outros tipos de escrita intimista, como o diário e memórias. Serão feitas leituras de Diários de Sebastião da Gama e Miguel Torga, bem como excertos de memórias de Manuel Alegre e Camilo Castelo Branco. Alargaremos a outros autores contemporâneos nas propostas de leitura individual, abrangendo a literatura de viagens.

Das memórias dos escritores para as memórias dos públicos com quem trabalhamos, e vice-versa, fomos construindo memórias do passado, através da recolha de histórias de vida e experiências vivenciadas.

 


O mundo entrelinhas

Os alunos partilharam com os adultos o Mundo entre as linhas dos textos dos media, como crónicas, documentários, entrevistas, reportagens e notícias da atualidade (periódicos disponíveis na BE – assinatura anual). Foram promovidos debates em torno de temas selecionados e sobre as questões de ética e análise crítica das competências dos meios de comunicação social. O cinema foi explorado na relação "um livro para um filme".

Passamos para o domínio ficcional e convidamos o escritor Pedro Guilherme Moreira para falar do seu livro: 'A manhã do mundo', relacionado com o 11 de setembro. Da ficção à realidade e da realidade à ficção, foram estas as linhas mestras para algumas sessões de debate e de leituras.

 


Costurando palavras…

Partindo da leitura de excertos do romance de María Dueñas, O Tempo entre Costuras, com enfoque no percurso da personagem principal, foram desenvolvidas sessões que permitiram a integração dos conhecimentos técnicos dos alunos do Curso Profissional de Design de Moda, através do desenvolvimento de atividades práticas de partilha de saberes com os idosos experimentados nesta área. Em cada uma das sessões subordinadas a este tema foi associado um excerto do livro, que comentamos, e daí se partiu para a execução de algumas tarefas, com o auxílio da assistente operacional da biblioteca escolar. A par disso, foram apresentadas outras fontes documentais, de cariz formativo e informativo, em jeito de complemento de saberes.

 


O Arco e a Lira

Partindo do título de um dos livros-chave para a compreensão da experiência poética e da poesia de todas as épocas e matizes, O arco e a lira (1956), de Octavio Paz, pretendemos, nesta ação, divulgar poetas portugueses do século XX, seguindo o currículo do 10º ano, a par de estratégias que permitissem dessacralizar este género literário e contribuir para a plenitude da sua fruição. Apresentamos o texto poético como um espaço de liberdade e um veículo de emoções, fazendo acompanhar a leitura de momentos de criação individual e/ou coletiva. O recurso a uma base musical permitiu remontar às origens primordiais deste texto, que funde a palavra com ritmos e rimas.

 


Quem conta um conto

O conto é, também, um dos objetos de estudo do programa do 10º ano. Assim, reunimos um conjunto de contos de autor, para deles fazermos pontes para a leitura individual. A partir das leituras, promovemos o debate oral, a ilustração, a escrita do 'nonsense', a audição de excertos. Fizemos ainda, e seguindo os conteúdos programáticos, a abordagem de autores variados de expressão portuguesa, do séc. XIX à atualidade, explorando múltiplos cenários narrativos que visaram propociar o engagement relativamente à leitura de ficção e ao romance literário em particular. 

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