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 Dimensão Literária

“Os mestres da palavra”

As sessões de leitura terão continuidade, à imagem dos anos anteriores, no Centro Social São José e no Instituto de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil. Com base no projeto de leitura realizado na disciplina de Português, os jovens darão o corpo e a voz aos textos escolhidos, visando ilustrar pormenores, refletir temas de interesse e usando de outras formas de expressão artística.

Os versos do lirismo despertarão também a dinâmica da escrita e o tempero dos poetas. Os trabalhos multimédia serão um complemento desta abordagem, quer na conceção de estratégias para as sessões, quer para a divulgação das ações efetuadas ao longo do ano, no sentido de produzir conteúdos para divulgação online, através do blogue da biblioteca escolar, da página do Facebook e do site do projeto.

 


Dimensão Científica

“Palavras, Ciência e Pensamento - a Navalha de Ockham”

As atividades a desenvolver ao longo do ano letivo no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra terão como base temas científicos, em diferentes áreas, que serão debatidos a partir de leituras. Interessa, nestas sessões pontuais, refletir sobre várias dimensões do conhecimento científico e retirar dele algumas conclusões e explicações básicas. Partiremos do princípio de Guilherme de Ockham "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor".

Estas sessões terão a colaboração da nossa voluntária de leitura.

 


Dimensão Artística 

“Toda a arte é atópica”

Partindo do pressuposto de Roland Barthes (O Prazer do Texto, 1996), segundo o qual o texto, no momento da sua produção, é um sistema desordenado que precisa do leitor para organizar os seus sentidos e, posteriormente, estabelecer inferências, estendemos o mesmo pressuposto para o domínio de toda a obra de arte. O jogo entre o seu autor e o leitor constrói-se pelo preenchimento de espaços vazios que existem dentro da própria essência do objeto artístico. Se o ato da leitura faz despertar a apreensão imediata e sensível das coisas, distanciando-se de doutrinas de linguagens ideológicas, então qualquer obra coloca esse desafio a quem a “lê”. O estímulo da descodificação é fascinante, mas também árduo e requer a aquisição de competências básicas e treino. 

A receção depende de cada um, do seu olhar, dos seus movimentos intrínsecos. Jauss (A Literatura como Provocação - História da Literatura como Provocação Literária, 1993) explica bem este fenómeno, quando advoga que obra de arte literária só será efectiva, só será re-criada ou “concretizada”, quando o leitor a legitimar como tal, relegando para plano secundário o trabalho do autor e o próprio texto criado. Para isso, é necessário descobrir qual o “horizonte de expectativas” que envolve essa obra, pois todos os leitores investem certas expectativas nos textos que leem em virtude de estarem condicionados por outras leituras já realizadas, sobretudo se pertencerem ao mesmo género literário. O contacto frequente com o preenchimento de espaços do objeto artístico [seja ele qual for], fazendo emergir a razão crítica e a semiótica do(s) textos(s), é condição essencial para fazer despertar essa capacidade nos nossos jovens.

É neste pressuposto de que é possível construir a partir da atopia que o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra trabalhará com as turmas do projeto, numa programação sequencial, no sentido de favorecer leituras simbólicas do mundo artístico. Porque a arte do nosso tempo se constrói sobre a arte de outros tempos, porque o conhecimento do passado pode permitir uma melhor compreensão do presente e a atenção ao presente pode ajudar a revelar o passado, tendo especialmente em conta a cidade, e o seu reconhecimento enquanto património mundial da Unesco, deambulamos pelo território e viajamos entre tempos diferentes. Valorizaremos o encontro pessoal, único, e imprevisível com a obra de arte mas não prescindimos do exercício da palavra a partir e sobre ela, lembrando sempre que o objeto artístico está para além de qualquer discurso, é sempre outra coisa.

Promovemos olhares múltiplos sobre a contemporaneidade, através da experiência multidisciplinar da arte (entre as artes visuais, a música, o teatro…), e a familiarização com as práticas artísticas do nosso tempo que possa contribuir para uma maior disponibilidade perante a diversidade e a diferença. Que a estranheza possa ser impulsionadora da curiosidade e do exercício crítico, ou seja da análise séria porque fundamentada, e não se fique pela frequente reação de rejeição perante o que não se conhece.

 


Workshops formativos 

Na sequência do que tem sido feito nos anos anteriores, prosseguiremos no esforço de formarmos os nossos alunos para dar voz às palavras. Estes momentos de trabalho com profissionais da arte dramática ajudam a preparar as sessões de leitura nas instituições que nos recebem, bem como as atividades que exigem uma maior exposição, dirigidas à comunidade em geral.

Muitas vezes a leitura é aliada à escrita, numa fase inicial, para favorecer a apropriação do texto por parte do aluno. Depois surge o trabalho de dar vida ao texto. Com o propósito de descobrir, através dos textos, que as palavras escritas são antes de mais, um diálogo, assim, em cada encontro tentamos introduzir o gesto e a ação, desvendando sentidos e dando corpo às palavras.

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